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O feijão é um dos pilares da alimentação no Brasil. Rico em proteínas, fibras, ferro e outros nutrientes essenciais, ele faz parte da rotina de milhões de pessoas. Ainda assim, muita gente evita o consumo frequente por causa dos desconfortos digestivos, especialmente os gases, além da necessidade de longas horas de molho antes do preparo.
Esse cenário pode estar perto de mudar. Pesquisadores brasileiros estão desenvolvendo uma solução inovadora que promete reduzir a formação de gases sem comprometer o valor nutricional do grão e ainda simplificar o preparo no dia a dia.
Por que o feijão causa gases em algumas pessoas
O desconforto digestivo associado ao feijão está ligado à presença de oligossacarídeos, um tipo de carboidrato que o organismo humano não consegue digerir completamente no estômago e no intestino delgado.
Quando esses compostos chegam ao intestino grosso, eles passam por um processo de fermentação realizado pelas bactérias da microbiota intestinal. Esse processo gera gases como hidrogênio e metano, responsáveis pelo inchaço abdominal e pelo desconforto relatado por muitas pessoas.
Por isso, práticas como deixar o feijão de molho por horas e descartar a água do remolho se tornaram comuns na tentativa de reduzir esse efeito.
A técnica inovadora que pode mudar o consumo do feijão
Para enfrentar esse problema de forma mais definitiva, pesquisadores da Embrapa estão utilizando uma técnica moderna de edição genética conhecida como CRISPR. Essa tecnologia permite alterar genes específicos de forma precisa.
No caso do feijão, a proposta é desativar os genes responsáveis pela produção dos oligossacarídeos associados à formação de gases, sem modificar o sabor, a textura ou o valor nutricional do alimento.
O objetivo é oferecer um feijão mais fácil de digerir, mantendo suas características tradicionais e ampliando o conforto digestivo para quem consome.
O que muda no preparo do feijão
Com a redução desses compostos fermentáveis, a necessidade de longos períodos de remolho tende a diminuir. Isso pode tornar o preparo do feijão mais rápido e prático, algo especialmente relevante para a rotina moderna.
Além disso, a inovação busca preservar os nutrientes do grão, evitando perdas que podem ocorrer durante processos tradicionais de preparo.
Quando o feijão sem gases pode chegar ao mercado
Apesar do avanço promissor, a tecnologia ainda está em fase de testes. O desenvolvimento de uma nova variedade de feijão envolve etapas rigorosas para garantir segurança, eficácia e viabilidade agrícola.
A expectativa é que o feijão com menor potencial de causar gases leve entre cinco e oito anos para chegar ao mercado, após testes em escala comercial e avaliações regulatórias.
Se confirmada a viabilidade, a inovação pode posicionar o Brasil como referência internacional em biotecnologia agrícola aplicada à alimentação cotidiana.
Fonte: www.msn.com




