Os trabalhadores dos Correios em São Paulo decidiram entrar em estado de greve, com possibilidade de paralisação no dia 16 de dezembro, após aprovação em assembleia realizada nesta semana. A categoria também confirmou presença em duas mobilizações nacionais: uma caravana a Brasília no dia 9 e um ato unificado no dia 10.
A assembleia, convocada pelo (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo) SINTECT-SP, reuniu grande número de funcionários, que discutiram os impasses nas negociações e os próximos passos do movimento.
O presidente do sindicato, Elias Diviza, reforçou que a união da categoria será essencial diante do cenário delicado que a estatal atravessa.
O SINTECT-SP, que atua nacionalmente na articulação de estratégias para os trabalhadores, afirma que o indicativo de greve surge após travas nas conversas sobre direitos e condições de trabalho.
Correios enfrentam crise e plano de reestruturação
A possível greve acontece enquanto os Correios passam por uma das piores crises dos últimos anos, marcada pelo fechamento de unidades, sucessivos prejuízos e uma tentativa de reorganização financeira.
A estatal busca um empréstimo de R$ 20 bilhões, já aprovado internamente, para executar um amplo plano de reestruturação. A proposta prevê:
Corte de R$ 2 bilhões em despesas, com redução de pessoal e fechamento de até mil agências;
Venda de imóveis ociosos, com expectativa de arrecadar R$ 1,5 bilhão;
Expansão de serviços em parceria com empresas privadas.
Parte expressiva do dinheiro será usada para um plano de demissão voluntária, que mira desligar cerca de dez mil funcionários. O restante servirá para pagar dívidas antigas, fornecedores, sentenças judiciais e recolhimentos previdenciários.
Após análise do Tesouro, o governo deve publicar um decreto que dará respaldo jurídico à operação financeira.
Os Correios estão no vermelho desde julho e acumularam R$ 6 bilhões de prejuízo entre janeiro e setembro deste ano.
Fonte: Gazeta de São Paulo





